Em termos de tecnologia eu estou sempre, no mínimo, dez anos atrasado. De início reajo da pior maneira possível às mudanças: acho uma droga qualquer aparelho novo que mude algum uso ou costume meu. Sou um sujeito reacionário por natureza, afeito à inércia, e defensor incansável “do mesmo sempre”.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Personal person (por Ronaldo Monte)
A coisa começou com a invenção do personal training. Ser uma celebridade e não ter o seu personal training era quase um pecado mortal. Como eu tenho uma propensão natural para a maldade, acho que isso foi invenção da mulher de algum endinheirado que descobriu uma forma segura de descolar uma grana para o seu jovem e atlético amante. A partir daí a moda pegou e começaram a aparecer as mais diversas variações de assistência pessoal. Tem o personal care, destinado ao consolo das senhoras da terceira idade. Tem o personal wear, para sugerir as esquisitices que as dondocas devem usar em situações específicas. Tem até o personal dog, que não é exatamente um cachorro de estimação, mas um cuidador de lulus e totós das madames que não têm mais tempo além do que gastam no cabeleireiro (personal hair, eu suponho) e na academia.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Quando eu crescer
(Ruy, Virna Teixeira e Eduardo Jorge)
O Ruy é daqueles sujeitos que ninguém pode dizer que o conhece direito. Arredio à fama fácil e nociva da província, se esconde em seu castelo da Aldeota Velha, em sua redoma à prova de mediocridades.
Alejandra Pizarnik
FIESTA
he despleado mi orfandad
Los que llegan no me encuentran.
Y he bebido licores furiosos
he despleado mi orfandad
sobre la mesa, como un mapa.
Dibujé el itinerario
hacia mi lugar al viento.
Los que llegan no me encuentran.
Los que espero no existen.
Y he bebido licores furiosos
para transmutar los rostros
en un ángel, en vasos vacíos.
Os que chegam não me encontram.
Os que espero não existem.
E tinha bebido licores furiosos
para transmutar os rostos
num anjo, em copos vazios.
(tradução de Lílian Gordon, revisada por Carlos Besen. Retirado do blog://meldomelhor.blogspot.com//)
* Quem quiser ler mais algumas traduções da poeta argentina (inclusive uma da cearense Virna Teixeira) favor ir à página http://sylviabeirute.blogspot.com/2010/09/alejandra-pizarnik-poemas-poesia.html
FESTA
tinha estendido minha orfandade
sobre a mesa, como um mapa.
tinha estendido minha orfandade
sobre a mesa, como um mapa.
Desenhei o itinerário
até meu lugar ao vento.
até meu lugar ao vento.
Os que chegam não me encontram.
Os que espero não existem.
E tinha bebido licores furiosos
para transmutar os rostos
num anjo, em copos vazios.
(tradução de Lílian Gordon, revisada por Carlos Besen. Retirado do blog://meldomelhor.blogspot.com//)
* Quem quiser ler mais algumas traduções da poeta argentina (inclusive uma da cearense Virna Teixeira) favor ir à página http://sylviabeirute.blogspot.com/2010/09/alejandra-pizarnik-poemas-poesia.html
terça-feira, 18 de outubro de 2011
O POETA EVERARDO NORÕES TRADUZ ROBERTO ARLT
Engana-se quem pensa que o new journalism foi inventado nos Estados Unidos em meados do século XX. De fato, seu criador foi Xenofonte, nascido na Grécia, quatro séculos antes de Cristo. Anabase, relato vivido, antes de ser história, é reportagem. Assim sugere a crônica de Roberto Arlt, publicada em janeiro de 1942, bem como a introdução ao livro de Xenofonte feita por Carlos García Gual, conhecido escritor e helenista espanhol.
Anabase é um de meus livros preferidos e este texto de Roberto Arlt é o melhor convite à leitura do clássico grego.
Anabase ou A retirada dos dez mil
Roberto Arlt
Quatrocentos anos antes do nascimento de Cristo vivia em Atenas um jovem de boa família. Como seus pais eram ricos, sua criação foi esmerada. Quando maior, recebeu lições dos filósofos e, finalmente, converteu-se em discípulo de Sócrates.
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
CONTO DE RUY VASCONCELOS
Poucos na rua sabem dele
O Eremita
Perdeu os pais e a filha. A mulher, os sócios, a casa de praia. Uma das vistas para o mar. Uma das vistas. O hábito de sorrir.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
ONETTI NÃO É PARA AMADORES
(Onetti em Madrid, em sua possição predileta: deitado e entornando garrafas de vinho)
Onetti chegou muito tarde ao Brasil, para dar uma idéia precisa seu romance fundamental (o preferido do próprio autor e no qual ele cria sua famosa cidade de Santa Maria, lugar mítico-geográfico que um dia ele disse ser um cruzamento de Buenos Aires com Montevidéu), A Vida Breve (Editora Planeta, 2004, tradução de Josely Vianna Baptista), só chegou por aqui 50 anos depois de lançado em espanhol.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
"Envelhecer", crônica de Pedro Salgueiro para O POVO (12.10)
Deus (ou a natureza, ou seja lá no/em que ou quem acreditemos) nos dá a sabedoria de irmos vivendo sem pensar muito no nosso inevitável envelhecimento. Na verdade não nos preparamos para essa complicada fase da vida (hoje tão eufemisticamente nomeada). Vamos indo rio abaixo (ou acima, quem sabe?) meio que ao sabor da corrente e do vento. Às vezes de canoa, outras no duro nado de peito. Mas verdade que dia menos noite nos deparamos com a “idade” chegando: uma dorzinha nas costas, um porre que demora mais do que de costume a passar, aquela torção de tornozelo que se curava por si dois dias depois do joguinho de futebol e que agora nos maltrata por meses.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
"Sânzio de Azevedo de Gaveta", de Pedro Salgueiro.
(Foto de Francisco Viana, jornal O POVO)
Conheço Sânzio de Azevedo desde a década de 90 do século passado. Vi-o pela primeira vez no lançamento do livro Moreira Campos em quadrinhos, organizado pelo mestre Geraldo Jesuíno, no Salão Nobre da reitoria da UFC. Trocamos conversas e livros e vamos construindo uma amizade que espero seja para sempre.
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
"Escritor Cotonete", por Pedro Salgueiro (6.10)
Um dos fatos que me fazem acreditar que estou ficando irremediavelmente mais velho é a quantidade de jovens escritores que me pedem para ler seus originais de livros e, claro, para dar minha modesta opinião sobre suas criações literárias. No início estranhava um pouco, dava a desculpa de que não era especialista nem nada, que mal sabia avaliar os meus minguados continhos etc. e tal. Mas com a insistência dos jovens colegas de ofício fui que fui aceitando ler e avaliar e meter o bedelho em algumas coisitas que achava de mau gosto ou fora do lugar, mas sempre com o pé atrás: afinal, quem sou eu para julgar uma pretensa obra de arte? Sequer fiz uma faculdade de Letras, sou um autodidata em tudo na vida, minha leituras são por demais anárquicas e só obedecem aos meus gostos pessoais. E além do mais sei, por experiência própria, que todo mundo é um pouco vaidoso e que no fundo não aceita bem uma interferência externa, principalmente se for negativa, mesmo que a procure.
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