quarta-feira, 29 de maio de 2013

O visível e o invisível no novo livro de Linhares Filho (por Vicente Jr.)




 
         O poeta José LINHARES FILHO é dessas pessoas “necessárias” com as quais todo ser humano, todo artista merece conviver. A retidão de seu caráter e o estro seguro de sua poesia tornaram-se lugar comum na cena literária brasileira, especificamente, na literatura do Ceará. Desde o livro “Sumos do tempo”(1968), como voz emblemática do Grupo SIN, ao livro “Notícias de bordo” (2006), indicando que há um porto onde é preciso chegar, e agora, no volume de que falamos, o que temos é um poeta cada vez mais seguro do seu oficio, um “lavrador da linguagem”, no dizer do ensaísta Carlos Augusto Viana, e um fiel avalista das múltiplas possibilidades do gênero lírico. Tem sido um imenso prazer acompanhar, com o olhar mesmo de discípulo, a trajetória iridescente desse vate da poesia cearense.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

INFERNO ASTRAL (Pedro Salgueiro para o jornal O Povo)


 Não sei se o leitor concorda, ou se já passou também por isso, e – caso tenha passado – se chegou a ter consciência do fato: tem dias, semanas, meses, às vezes mais, que tudo dá errado com a gente: são doenças inesperadas, confusões no trabalho, simples topada ou escorregão; quaisquer que sejam, pequenas ou grandes, as “encrencas” que nos aconteçam. O certo é que nunca vêm sozinhas, desencadeiam uma sequência de ações desastrosas.

Percebi este fato bem cedo, criança ainda; e quando começavam as coisas a darem erradas, bastava umazinha depois da outra, e eu já prontamente tratava de me defender: saia pouco de casa, não falava com ninguém, fazia quase nada, rezava apenas...

quarta-feira, 15 de maio de 2013

J. M. COETZEE (por Sérgio Rodrigues)

‘A infância de Jesus’: o gesto primordial da literatura



Em seu novo romance, “A infância de Jesus” (Companhia das Letras, tradução de José Rubens Siqueira, 304 páginas, R$ 44,00), J.M. Coetzee leva a investigação ética que sempre foi o principal motor de sua literatura a um plano de inédita rarefação. Descarnada e assumidamente alegórica desde o título, a narrativa desenha uma série de parábolas provisórias e inacabadas que se corrigem e se negam o tempo todo, recusando ao leitor o prazer de fechar um sentido e dizer: “Ah, então é isso!” – prazer que se pode chamar de fácil, mas do qual é dificílimo abdicar por completo, sob risco de inviabilização não apenas da literatura mas da própria linguagem. O que confirma o sul-africano, no mínimo, como o mais corajoso dos grandes escritores vivos.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Revista DIVERSOS AFINS

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Amigos, vejam a nova edição do ótima revista "Diversos Afins".

Entre os destaques:

- uma exposição fotográfica com os trabalhos de Rosa De Luca;

- os percursos poéticos de Rita Santana, Tristan A. Guimet, Tatiana Druck, Wender Montenegro, Floriano Martins e Vítor Nascimento Sá;

- a entrevista com o escritor Sérgio Tavares, vencedor de uma das edições do Prêmio SESC Nacional de Literatura;

- Clarissa Macedo rememora o poeta Francisco Carvalho;

- todo o vigor dos contos de Lisa Alves, Anderson Fonseca e Vera Helena Saad Rossi;

- o filme francês “Dentro da Casa” pelos olhos de Larissa Mendes.



E sempre mais em:




 Os editores são: 
 Fabrício Brandão & Leila Andrade.

CARLOS TRIGUEIRO: UM CEARENSE DE CORAÇÃO (por Pedro Salgueiro)


                                                                              
  “Dos rincões que pisei fora do Amazonas, nenhum deixou sulcos mais profundos na minha alma que o Ceará.”
(Carlos Trigueiro – Memórias de Liberdade)
O povo alencarino se tornou conhecido por sair mundo afora, buscando sustento físico e espiritual. Todo cantinho do mundo que se preze tem um cearense como habitante, seja ele porteiro ou cientista, padeiro ou escritor. Dizem que quando Neil Armstrong chegou à lua por lá encontrou uma rapadura e um restinho de farinha, esquecidos por algum cabeça-chata. Certa vez perguntaram ao nosso cronista maior Rubem Braga se ele realmente tinha sido o primeiro repórter brasileiro a cobrir uma grande guerra. Ele pensou um pouco, deu um raro sorriso e sapecou: “– Rapaz, não sei. Pode ser que algum cearense tenha se antecipado”. Ele mesmo andou por aqui, conheceu sertões e tirou fotos em jangadas.