sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

João Guimarães Rosa - Entrevistado por Günter Lorenz "Diálogo com Guimarães Rosa"



Diálogo com Guimarães Rosa
Gênova, janeiro de 1965.

LORENZ: Ontem, quando escritores participantes deste Congres­so[1] debatiam sobre a política em geral e o compromisso político do escritor, você, João Guimarães Rosa, político, diplomata e escritor brasileiro, abandonou a sala. Embora sua saída não tenha sido de­monstrativa, pela expressão de seu rosto e pelas observações que fez, podia-se deduzir que o tema em questão não era de seu agrado.

GUIMARÃES ROSA: É verdade; agi daquela forma, porque o tema não me agradava. E para que nos entendamos bem, digo-lhes que não abandonei a sala em sinal de protesto contra o fato de esta­rem discutindo política. Não foi absolutamente um ato de protesto. Saí simplesmente, porque achei monótono. Se alguém interpreta isto como um protesto, nada posso fazer. Embora eu veja o escritor como um homem que assume uma grande responsabilidade, creio en­tretanto, que não deveria se ocupar de política; não desta forma de política. Sua missão é muito mais importante: é o próprio ho­mem. Por isso a política nos toma um tempo valioso. Quando os escritores levam a sério o seu compromisso, a política se torna su­pérflua. Além disso, eu sou escritor, e se você quiser, também di­plomata; político nunca fui.

LORENZ: É uma bela opinião sobre a importância do papel do escritor: mas não será demasiado idealista? Foram discutidos mui­tos aspectos do cotidiano político; e, além disso, acho que um escritor não teria muitas probabilidades de êxito se, como você quer, tra­tasse apenas do homem em geral, deixando de lado a vida diária desse mesmo homem.

GUIMARÃES ROSA: Posso compreender isso e também sei que aqui provavelmente todos pensam de modo diferente do meu. En­tretanto, me propus a dizê-lo claramente: tenho a impressão de que todos eles discutem demasiado, e por isso não conseguirão realizar tudo o que desejam. Perdem muito tempo, que empregariam me­lhor escrevendo. Mesmo supondo-se que tudo aquilo que dizem es­tivesse certo, então seria ainda mais acertado que cada um escrevesse sua opinião, em vez de expressá-la perante um auditório tão limitado. A palavra impressa tem a maior eficácia e além disso estas discussões secas me entediam, pois são muito aborrecidas. Descon­fio que só são feitas para alguns deles poderem se confirmar a si ; próprios sua importância e poderem assim se desligar de sua res­ponsabilidade sem peso de consciência. Naturalmente isto não vale para todos, pois quando homens como Asturias falam pró domo, terão também suas razões. Mas você já observou que os que mais falam de política são sempre aqueles que têm menos livros publi­cados? Quando os têm, não são livros onde expressem idéias semelhantes às expostas aqui. Noto a falta de coerência entre suas obras e suas opiniões.

RAPIDINHAS (Curtas e Grossas) - Pedro Salgueiro para O Povo


(Ao modo Neno Cavalcante)

O deputado (e palhaço) Tiririca anuncia que vai deixar a política para voltar aos palcos. Afirma que na Câmara a concorrência à sua profissão original é muito grande.
***
Governador Cid suspendeu verbas para o carnaval em quase cem cidades cearenses, usando como justa-justificativa a grande seca que assola o estado. Não achava isso quando contratou, por mais de meio milhão, Ivete Sangalo para uma simples inauguração em Sobral poucas semanas antes?
***
Incrível (e surpreendente) a agilidade governamental para entregar a obra do Estádio Castelão. Recomenda-se o mesmo “empenho” e “competência” em outras áreas: Infraestrutura. Educação. Saúde. Cultura etc. etc.
***

Shakespeare: Ricardo III e a Ciência (por Theófilo Silva)

Shakespeare e Ricardo III

Está nas manchetes de todos os veículos de comunicação do mundo, televisões, jornais, revistas, sites, blogs, facebook:  o esqueleto do rei da Inglaterra, Ricardo III, morto numa batalha em 1487, foi finalmente encontrado no estacionamento de um Shopping da cidade de Leicester. As matérias mostram estudiosos falando da importância da descoberta, e segue-se uma controvérsia sobre a peça homônima de Shakespeare, em que o bardo descreveu Ricardo III como um rei perverso e assassino.

O que vem a ser essa história, e onde está à verdade no meio de tudo isso? O debate promete ser longo: a ciência contra Shakespeare.

Ricardo III é uma das primeiras peças de Shakespeare, escrita em 1592 – ele começou a escrever para valer em 1589, aos 25 anos de idade – e faz parte do seu círculo de Peças Históricas.  Ricardo III não é considerada pela crítica uma peça perfeita, pois é possível ver claramente um Shakespeare aprendendo a delinear seus personagens. O drama não tem a maturidade de Sonho de Uma Noite de Verão, Othelo ou qualquer outra de suas obras-primas.


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

PANELINHAS (Pedro Salgueiro para O Povo)


(alguns dos participantes dos Poetas de Quinta) 


Quase todos nós temos (ou tivemos), desde criança, nossas inevitáveis e fundamentais “panelinhas”.

Primeiro, pra mim, veio a “patota” da escola, seguimos juntos até a oitava série, com raras baixas, uns poucos repetiram o ano, outros mudaram de cidade. Ainda hoje quando nos vemos o coração bate mais forte, saudoso...

Depois veio a “turminha” do futebol, amigos antigos que dividiam sonhos e pelotas. Quase nunca os vejo, empurrados que foram para o “Sul” em busca da sobrevivência. Enorme também é a alegria nos raríssimos reencontros. Vez em quando sonho jogando com eles, os mesmos anseios, as mesmas emoções. Geralmente acordo triste, um vazio fundo cala no peito.