quarta-feira, 31 de outubro de 2012

50 VERSÕES DE AMOR E PRAZER (Contos Erótico Femininos): Org. Rinaldo de Fernandes


EM BREVE NAS LIVRARIAS A MAIS NOVA ANTOLOGIA DE CONTOS ORGANIZADA POR RINALDO DE FERNANDES, PELA GERAÇÃO EDITORIAL (SP).

AS AUTORAS QUE INTEGRAM A ANTOLOGIA:
ANA MIRANDA, ANA PAULA MAIA, ANDRÉA DEL FUEGO, ANA FERREIRA, ÁLLEX LEILLA, CECILIA PRADA, HELOISA SEIXAS, JULIANA FRANK, LEILA GUENTHER, LUISA GEISLER (AUTORA DE APENAS 21 ANOS E QUE É UMA DAS REVELAÇÕES DA LITERATURA BRASILEIRA), MÁRCIA DENSER, MARILIA ARNAUD E A CEARENSE TÉRCIA MONTENEGRO.


 

 
RINALDO DE FERNANDES LANÇA COLETÂNEA
DE CONTOS ERÓTICOS DE ESCRITORAS BRASILEIRAS

Coletânea, que está saindo pela Geração Editorial (SP), será concorrente nacional do best-seller Cinquenta tons de cinza

 
50 versões de amor e prazer – 50 contos eróticos por 13 autoras brasileiras, livro organizado pelo professor de literatura da UFPB e escritor Rinaldo de Fernandes, é um concorrente nacional, mas primando pelo grande valor das narrativas, pela grande qualidade das autoras, do best-seller Cinquenta tons de cinza. O livro está saindo pela Geração Editorial (SP) e chega às livrarias de todo o país daqui a duas semanas.  

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

RESENHA e POEMA de RUY VASCONCELOS


Turbulência, anti-distônicos e amor como espectro: uma biografia de David Foster Wallace





Every Love Story Is a Ghost Story: A Life of David Foster Wallace, por D.T. Max, Granta, 352 ps. - (lançada em setembro passado)

Toda História de Amor é uma História de Fantasmas é o título da primeira biografia sobre o mais recente herói literário dos Estados Unidos: David Foster Wallace (1962-2008). E Foster Wallace é conhecido sobretudo como o autor de Infinite Jest [Pilhéria Infinita]. O romance é um calhamaço de mais de mil páginas passado em um distópico país norte-americano, que engloba também o Canadá e o México, além dos Estados Unidos, num futuro sombrio e meio pantagruélico. A unidade política leva a sigla galhofeira de O.N.A.N., numa clara referência satírica de endereço certo: a ONU, o Nafta, os projetos pós-modernos de blocos de países, tais como a União Europeia, que ora balança como um castelo de cartas. (E dentro da qual ex-potências coloniais ameaçam liquefazer-se antes mesmo de receberem o resgate econômico e verem sua soberania evaporar em favor de um Banco Central Europeu comandado com mão de ferro e nervos de aço pelos obstinados alemães. E é preciso recordar o quanto a figura de Hitler era uma das obsessões (e dos pavores) do autor da Jest).

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

RAIMUNDO SOLDADO (por PEDRO SALGUEIRO)


 

                                                                 

 

 

NO CARNAVAL


Quando você foi embora...

Nem bem deu sexta-feira e a Luzanira sumiu, mas só notaram sua falta à hora de dormir – a rede estirada no canto da sala permanecia murcha –, aí foi um procura aqui e acolá dos diabos. Todos os recantos da casa e do quintal minuciosamente vasculhados, a rua inteira – de porta em porta – acordada, causando um frenesi apenas abafado pelo som dos blocos que passavam vez por outra na rua de trás. (Lourival, então, era o mais nervoso.)
... Meu coração quase parou.
Pela madrugada os vizinhos iam se recolhendo, cada um tinha uma versão do sumiço; e somente os de casa não pregaram olhos naquela noite; continuaram a ouvir o barulho dos blocos até de manhã, quando então abriram as portas e foram novamente bater à casa dos vizinhos. (E, pra variar, recorreu à fiel companheira de sempre.)
Foi somente tristeza que você me deixou...
Já passava do meio-dia quando tomaram a decisão de denunciar o caso à polícia; deram parte, responderam às perguntas do escrivão. Prometeram investigar com a ajuda de um retratinho. A família dividiu-se em meio a um pequeno bate-boca: uns resolveram voltar para casa lamentando o ocorrido, outros partiram para os hospitais; a irmã caçula – a mais sonhadora – decidiu ir à rádio, para divulgar a notícia entre um samba e outro. Cansados, somente à noitinha tiveram coragem de procurar no necrotério, onde a busca do corpo entre os dos indigentes foi inútil. (Zonzo, suado e frio, via a todos como imensas mariposas em volta da lâmpada.)
Não tem jeito que dê jeito...
Os cinco dias de transtorno foram enfrentados a calmante e chá de cidreira, além do apoio constante da vizinhança. (E ele lá, resistindo, entre a peixeira e a saudade.)


Pra você viver comigo.
E sequer amanheceu a quinta-feira, lá estava a Luzanira ao pé da porta. O rosto baixo buscava os pés de quem se aproximasse, a roupa e o cabelo brancos de maisena – apenas balançava a cabeça de baixo para cima, ou de um lado para o outro, conforme fosse a pergunta. (Às vezes, as lágrimas vencendo a raiva.)
De hoje em diante, nós vamos ser dois simples amigos.

(*) Temática do conto e frases retiradas da canção “Não tem jeito que dê jeito””, do mega-pop-star maranhense (de Timon) Raimundo Soldado.


PEDRO SALGUEIRO

CHICO ALVIM EM FORTALEZA

O poeta dos outros

Em passagem por Fortaleza, o poeta Francisco Alvim, celebrado como um dos maiores autores brasileiros vivos, falou sobre sua poesia e o eterno risco da palavra

    IGOR DE MELO
    Alvim: "o leitor tem que ter essa reação muscular, tão intensa quanto quem está escrevendo"

    “Pois a poesia/ quando ocorre/ tem mesmo a perfeição/ do metro —/ nem o mais/ nem o menos/ — só que de metro nenhum/ um metro ninguém/ um metro de nadas” - trecho do poema “O Metro Nenhum”,
    de Francisco Alvim

    O poeta mineiro Francisco Alvim esteve pela primeira vez em Fortaleza semana passada, como convidado do Festival UFC de Cultura para lançar seu último livro, O Metro Nenhum (Companhia das Letras, 2011). Diplomata aposentado, Alvim surgiu como poeta na primeira geração da “poesia marginal”, ao lado de nomes como Cacaso, Geraldo Carneiro, Chacal e Roberto Schwartz, na década de 1970, publicando suas primeiras obras em edições artesanais - foi o caso de Sol dos Cegos (1968) e Passatempo (1974), entre outros.
    Apesar da carreira de mais de quatro décadas, nunca foi de escrever muito. O Metro Nenhum, por exemplo, saiu mais de 10 anos depois de Elefante (2000), até então sua última edição de poemas inéditos. Aos 74 anos, reconhecido como um dos grandes poetas vivos do País, ele ainda prefere prestar homenagem aos seus grandes mestres e se diz talvez tão ou mais inseguro do que quando ainda era um aspirante à arte poética.

    O POVO – O título do seu último livro remete a uma capacidade da poesia de apreender o que não tem tamanho. É assim que o senhor a concebe?
    Francisco Alvim - A poesia é em si uma coisa extraordinária. É uma aderência que a poesia tem às coisas, não só aos objetos, a tudo, é uma aderência que a prosa não tem. O que significa essa aderência? Ela capta realmente uma quantidade de ângulos e dimensões e não tem compromisso, vamos dizer assim, com a lógica dos fatos, a sequência dos fatos, a realidade que ela cria é uma realidade que de certa forma transcende a coisa imediata em si, as aparências da coisa, não é uma transcendência espiritualizada, é uma transcendência da própria matéria, é uma complexidade de matéria que a poesia tem... Isso dificulta muito também, porque nem tudo é poesia, e o que não é poesia aparece... A poesia é um gênero frágil – o que não é, boia. Às vezes você acha que está fazendo uma poesia, mas você não está fazendo um poema, você está se iludindo, está iludindo o próximo. Quer dizer, é um gênero complicado.