(Airton Monte posando para a revista Para Mamíferos)
Nosso cronista Airton Monte tem sido tratado com bastante reverência, seriedade e pompa, advindas, claro, de sua cruel doença e lamentável morte. Aliás, como toda morte deve ser, sim, tratada. Mas me pego imaginando ele presente em seu velório, solenidade de cremação, missa de Sétimo Dia, escondido por trás de todos, rindo de toda aquela solenidade, com o traquino riso fácil que era muito dele: do escárnio de quem ria de tudo, de quem “gozava” do mundo, de quem “mangava” de todos.
Não, eu não fui seu amigo íntimo, nem seu camarada-irmão, muito menos tomei homéricos porres com ele em seus idos tempos de Estoril, também jamais passeei em sua companhia pela velha Iracema de todas as saudades. Sou de uma geração posterior. Quando comecei a rabiscar minhas primeiras letras, fazia muito ele tinha deixado de escrever contos. Acabara de assumir a página diária d’O POVO que havia sido de seu grande amigo Rogaciano Leite Filho. De lá pra cá, o tenho lido quase que diariamente, a ponto de sentir saudades quando ele tirava férias: pegava-me automaticamente indo à sua página toda manhã.


