terça-feira, 18 de junho de 2013

OS MORTOS, de James Joyce (por Alfredo Monte)

OS MORTOS (The Dead), um texto-chave na obra de James Joyce

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Fico sempre assombrado com a idade em que certos textos foram escritos. É o caso de Os mortos (The dead), o último e mais famoso conto de Dublinenses. James Joyce tinha  25 ou 26 anos ao escrevê-lo, naquela primeira década do século XX (nascera em 1882) em que se dedicava à criação da versão inicial do seu romance de formação, que só seria publicado, depuradíssimo em 1916, como Um retrato do artista quando jovem (dois anos antes, ele conseguira publicar, tardiamente, os quinze contos de Dublinenses, entre eles Os mortos, que fecha a coletânea).

Se Stephen Herói resultava informe, desagregado, frouxo enquanto narrativa, os contos daquela época mostram que Joyce poderia ficar na história como um dos grandes do gênero, independentemente da sua reputação futura, mais calcada na ruptura e na ousadia formal. São textos praticamente perfeitos, com um sopro do teatro de Ibsen neles[1], mas perfeitamente alinhados a grandes mestres “atmosféricos” (Maupassant, Turguêniev, Tchekhov) do gênero.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

A TURMA DA LITERATURA (Pedro Salgueiro para O Povo)



— O SILÊNCIO DAS LETRAS

O escritor é serzinho esquisito, casmurro, cismado.

Diferentemente da “galera” da Música, do Teatro, das Artes Plásticas e de outras artes mais performáticas, a turma da Literatura é mais calma, comedida, quase invisível, eu diria. Claro que tem suas exceções, os “pindaibeiros” (capitaneados por André Dias e Manoel Carlos da Fonseca, dentre outros) aqui do Benfica adoram misturar suas letras pouco comportadas com o zunido do rock e outras nóias ma(i)s em movimentados lançamentos. As antigas Rodas de Poesias do Centro Dragão do Mar eram recitadas ao som de tambores e guturais gemidos. Outras experiências pouco convencionais pululam aqui e ali em nossa espevitada lourinha destrambelhada pelo sol.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

JOÂO UBALDO RIBEIRO (Entrevista ao jornal O Povo)

Operário de Itaparica



Todo ano, o escritor baiano João Ubaldo Ribeiro se faz uma promessa que não consegue cumprir. Tem tentado se desvencilhar nos últimos tempos dos chamados para eventos literários que chegam a sua caixa de e-mails rigorosamente todos os dias. “Ou eu sou duro (...) ou esqueça: minha obra futura vai ser só de e-mail”, explica, com a certeza de que, dessa vez, está firme para recusar o que vier. Já abortou vários inícios de romances por conta desses compromissos.

Quer viajar menos, se dedicar mais à Academia Brasileira de Letras, da qual faz parte, na cadeira 34, desde 1993, e principalmente se debruçar mais sobre novos projetos; o último foi o romance O Albatroz Azul, de 2009. A única viagem que se permite fazer sem restrições é à Ilha de Itaparica, onde revê os amigos e se inteira das fofocas e novidades do lugar. É lá onde se sente bem, com o povo do mercado de Santa Luzia.

MEU AMIGO SÂNZIO DE AZEVEDO (por Pedro Salgueiro)


Conheci Sânzio de Azevedo através de seu livro Literatura Cearense, bem antes de começar a escrever qualquer coisa, ainda na fase de primeiras leituras de reconhecimento de nossas letras alencarinas. Adorava o livrão porque, além de uma breve biografia, trazia um texto de cada autor, e mesmo de escritores mais jovens havia alguma referência; depois li alguns artigos esparsos em outros volumes seus, em meados da década de 1980. Só muito depois fui saber que escrevia poemas e rabiscava contos realistas (sempre baseados em fatos de suas lembranças).